Sol 


Porque tem horas que eu acho tudo muito bonito, nessas horas uma das coisas mais incríveis é olhar a luz e sentir a energia do Sol. Eu consigo acreditar que as qualidades das pessoas são capazes de me manter próxima, que eu sou capaz de amar, e ainda que posso ser amada. Sinto nesses momentos  muito a necessidade de ser social, conviver e conhecer o brilho de pessoas, querendo conversar sobre qualquer coisa. Destribuir sorrisos, para quem precisa, quer, ou nem nota.

Tudo me faz sentir uma chama de dentro para fora, como se eu mesmo gerasse luz e calor.




Dançante



Ela parecia música enquanto dançava.

Movia-se de um jeito que eu não consigo entender, e por isso mal consigo lembrar movimentos. Como ela faz isso?

Eu escutava o momento, minha pulsação ficou estranha, preencheu meu corpo todo. Como sempre, não perdi a consciência, conseguia olhar para os lados e perceber o resto do local e a movimentação das outras pessoas. Mas a vontade de manter os olhos nela foi algo muito novo.
Muito forte. Eu senti muitas coisas durante aqueles três minutos.

Lembro dela indo ao chão devagar, sem ajuda da gravidade, mas ela flutuava no nada. Eu consegui perceber que ela simplesmente dançava, não fazia mais nada. Um jeito de ser plenamente real parecia uma ilusão.

E eu sabia que quando ela ia ao chão ela dizia algo, ou melhor, eu sentia. De um lado para o outro ela me levava à confusão de não saber aonde ir. O que fazer? Mas ela voltava a um jeito sóbrio e geralmente nessas horas eu olhava para os lados para ver se alguém estava como eu. Não sabia como estava ou deveria estar, talvez eu achasse uma resposta para isso em outros.

E o cabelo? De repente estava solto, aquela mulher não poderia ter cabelos curtos.  Eles eram um dos instrumentos com solos o tempo todo. Enquanto se ouvia um sax longe, o cabelo escorregava por costas ou deixava de estar para também se perder no ar onde ela flutuava.

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