Percepção e Expressão são termos inseparáveis, inclusive quando se está em questão o som. No Brasil, nos grandes meios de comunicação há formas bastante constantes de direcionar o papel do que se ouve, o que já limita o alcance da expressão por serem eles os grandes objetos de percepção sonora.
Além disso, não há meios disponíveis para a maioria dos brasileiros se expressarem de qualquer forma, entre elas musicalmente, por exemplo. A música é parte desse universo sonoro, e também pode ser dita repetitiva, graças a indústria cultural e seu costume de maquiá-la para parecerem novas.
Nesse contexto de falta de opção e de oportunidade de expressão, o imaginário se converte em silêncio. Entenda-se com isso que passa a predominar ausência de discurso, em resposta a um discurso ensurdecedor.
O discurso televisivo é moldado para funcionar sem que seja percebido, para produzir o efeito de intuição, e melhor direcionar a atenção para o discurso. O espectador é o público que comanda, o objeto para quem o produto sonoro é produzido, o que não significa que tenha autoridade sobre este que seria um produto social.
Os outros setores da vida social ainda vêm a contribuir para o silencio dos indivíduos. O tempo de lazer, confundido com o tempo de descanso, por conta da grande importância e escala do tempo-trabalho, conduz a posição daqueles diante os meios de comunicação. O conforto das redundâncias dos produtos que podem ser pré-audíveis é conseqüência também disso, e por fim acaba por reforçar essa situação, afinal “O espectador é o consumidor, sem dúvida, porém acaba sendo, também, o produto desta máquina refinada” (Leonardo Sá, O sentido do som, p. 138).
Quando se tenta copiar um produto musical, como Leonardo Sá o fez no final do texto, e usou a abertura de uma telenovela, mas não se consegue reproduzir seu efeito de tão música, talvez seja porque a simples idéia de por em prática algo a que se costuma ser passivo já é uma forma de expressão. Portanto, já inclui algo daquele que toca. Concluindo com isso que o acesso aos meios de produção comunicacionais são fundamentais para transformação desse contexto.
Na verdade o que existe na verdade é uma falta de engajamento nos meios de produção, daí eles tocam o que o POVO, a grande maioria quer ouvir. Ninguem quer educar o ouvido de ninguem, na verdade eles querem ganhar dinheiro com o ouvido das pessoas. Assim ocorre na TV e etc... certo tb que eles estão alienados a interesses politicos que direcionam algumas informações para o mascaramento mesmo, mesmo que a propria Xuxa já tenha feito propagando do MST e tal em seu programa. É muito complexa essas relações. Por fim, digo que o que falta é uma diversidade de expreções nos veiculos de comunicação, e não um mal gosto preponderando o bom gosto, pois é entrariamos em um campo minado, como no caso, o que pode esclarecer e o que pode alienar, já que o proprio marxismo pode alienar, então são coisas por demais relativas. Eu por exemplo assisto novela.
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