Preciosas


Há poesia por trás de qualquer ato de violência e covardia. Não deixaria minhas lágrimas escorrerem porque está tudo errado, senão que pelas portas que estão fechadas e por isso podem ser abertas de alguma forma. É suportável perceber o sofrimento quase sem limite de um personagem como C. Precious Jones, mas não o é lembrar o quanto se deixa de fazer em benefício de uma sociedade mais justa, seja respeitando as mulheres, a cor da pele ou a classe social.

Um salve ao feminino. Ele que alcança aquilo que importa em cada um, que busca e percebe os vazios que uma alma encobre. Como isso não basta, as mulheres de Precious tem o que importa do masculino para agir em busca do equilíbrio emocional, físico e estético.

A primeira cena do filme mostra o que faz da Clarice ser o que era. Ela espera que algo aconteça, ela não suporta a escola, o pai, a mãe, não sabe quem ela mesma é, ou o que quer, mas imagina um mundo diferente por completo daquele que se apresenta. Mas essa situação muda, mesmo que o filme não chegue ao fim, e assim mesmo mostre a última peça de um quebra-cabeça ser encaixada. Ele não está pronto, mas podemos ver o desenho claramente. Não é feliz, mas é encantador. 


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