Tem
alguns filmes sobre os quais eu não consigo pensar sozinha. Ao fim dos
créditos, refletindo sobre o que acabei de assistir, tentando retomar
interpretações prévias e as sensações das várias partes da obra, me sinto
confusa. A partir daí vou construir a significação de um filme em mim, em
conversas, escritos, leituras. Disso pode surgir a necessidade passional de
vê-lo de novo.
E
aproveitar a tensão sexual de atos não consumados. Não sem antes saber como é
liberar tudo, não conter nem a menor das inquietações ou desejo, seja com
gritos ou movimentos de corpos e câmeras. Não seria esse um contraste? No
entanto muito diferente do que me é apresentado pelo cotidiano, pelos costumes
bons e maus.
As
relações pessoais no filme são fluídas sem deixar de serem sólidas, elas estão
constantemente expostas à água de um tanque e ao calor de Recife. Com o passeio
da câmera, passeamos pela cidade, mas principalmente por personalidades bem
definidas com relação a suas identidades e muito livres quando reparando em
suas formas de ver o mundo. E soltos, mas nunca sozinhos, os personagens se
respeitam, se divertem e se protegem todo o tempo.
Tem
alguns filmes sobre os quais eu não quero pensar sozinha. Como esse. Pois tem
muitas nuances da poesia, e não se propõe a encerrar nenhum assunto, aposta nos
ciclos. Se dá ao papel básico da arte, mesmo sem intenção, e até com ela,
educa.
O
filme serve de canal de expressão de toda a poesia acumulada da vida e da obra
de quem o fez, como as sete cores partidas da luz pelo brilhante. A Febre do Rato é um sintoma de Recife, é o
que extrapola da realidade da cidade através do poder cinematográfico de
Claudio Assis e sua equipe.
![]() |
| "Você é muito publicitário" |

Nenhum comentário:
Postar um comentário