Depois de oito dias pensando
nisso, finalmente fui a Olinda. O ônibus deu um volta comigo, buscou algumas
pessoas, inclusive a poetisa que sentou ao meu lado e me contou uma parte
importante de sua vida. Meu interesse nasceu da pergunta “é possível alguém
nunca se apaixonar¿” Dessa vez irá continuar sem resposta, pois ela se
apaixonou sim, e talvez por remoer essa paixão, agora platônica, há quarenta
anos ela parece esmagadora. Talvez essa seja a forma de manter uma paixão por
tanto tempo, mas não é viver, então acho que não serve. Desço do ônibus com
parte do peso dessa paixão e pela primeira vejo a Igreja do Carmo aberta, chego
lá e vejo que a estão preparando para um casamento, e que há um pátio por
detrás que parece bonito. Vou ver e um França me convida a dançar, me parece
bom, e realmente é uma delícia dançar naquela espécie de clareira em homenagem a
deusa Celta. Até que a Lua apareceu e além de iluminar, me lembrou da hora, e
que eu tinha que procurar um caixa pra ter como voltar. Por isso subo à Sé e lá
resolvo o que tenho que resolver e pela primeira vez ver realmente, única e
exclusivamente a Lua crescente por meio de um telescópio, e é tão
impressionante quanto eu poderia supor. As sombras, a luz que cega, e cada
manchinha que parece bonita e delicada, mas deve ser monstruosa. Daí veio o
processo de descer, de passar por lugares familiares de carnavais e amores,
tomar uma cerveja e partir pra mais um filme.

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